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Maré alta

À beira do lago

Conhecida no Brasil pelo seu tradicional e importante festival de jazz, que já consagrou muitos de nossos artistas, a cidade suíça de Montreux não tem mar, mas é rodeada pelo Lago Léman, que a representa muito bem. Além disso, guarda uma pérola – a Clinique La Prairie, que, desde 1931, une saúde e beleza em prol do bem-estar

 

Não bastasse a beleza do extenso Lago Léman, que ainda por cima tem águas limpas, há marinas que abrigam veleiros e várias embarcações históricas, pequenos ferryboats e lanchas que navegam em suas águas, além dos tais Alpes suíços, que emolduram a paisagem como um quadro gigantesco.

Maior lago da Europa Ocidental, o Léman é também chamado de Genebra e foi batizado pelos povos celtas de “Água Grande” – “Lem an”. Em sua rota franco-suíça, ele percorre 582 quilômetros quadrados. Juntamente com Lausanne, Montreux faz parte da porção francesa da Suíça. E no Chemin Fleuri, ou Caminho Florido, que se estende por mais de 13 quilômetros às margens do Lago Léman, Montreux ganha ares mediterrâneos. O lago é a grande atração da cidade. Além de caminhar em meio às flores coloridas, no verão é possível jogar-se na água doce em toda a extensão da promenade, mas as praias estruturadas, com areia e banheiros, ficam mais adiante, na vizinha Vevey. “Eu trabalho bem perto do belo caminho à beira do lago, em Montreux, e nunca me canso de passear ao seu redor – muito pelo contrário, na verdade. Eu gosto de andar de patins ao longo da costa, especialmente no trecho entre Clarens e Chillon ou entre La Tour-de-Peilz e Vevey-Aviron”, diz Mathieu Jaton, CEO do Montreux Jazz Festival

A música é uma referência muito forte. Sempre acontece algum evento muito animado às margens do lago e Montreux é considerada a cidade da música na Suíça. Esse título não veio de graça. Afinal, a cidade realiza anualmente o segundo maior festival de jazz do mundo, atrás apenas do Canada’s Montreal International Jazz Festival. E outros eventos de música animam a cidade durante o ano todo, como o Festival de Música de Montreux, em setembro.

Na cidade da música, muitos atistas marcam presença. À beira do lago, por exemplo, na Place du Marché, depara-se com a estátua de bronze de Freddie Mercury, o líder do Queen, que decidiu morar na cidade depois de participar do Montreux Jazz Festival, em 1978. Ele passou alguns anos ali e gravou vários álbuns, inclusive o último, Made in Heaven, no Mountain Studios, que havia recebido gente de peso, como os roqueiros do Deep Purple, AC/DC e Led Zeppelin, entre outros, antes de ser comprado por Freddie Mercury e seus colegas de banda. O estúdio deu lugar ao Museu Queen The Studio Experience, localizado no Cassino de Montreux, onde se podem ser vistos discos, roupas, outros objetos e informações sobre Freddie Mercury, entre uma aposta e outra. O ídolo do rock costumava dizer: “Se você quer paz de espírito, venha para Montreux.” Há referências também do compositor russo Igor Stravinsky, que foi parar em Montreux por problemas de saúde, mas se apaixonou pela região. Aninhado às margens do Lago Léman entre os alpes franceses e os terraços de Lavaux – vinhedos reconhecidos pela Unesco como patrimônio mundial –, o eixo formado por três cidades, Montreux, Vevey e Lavaux, é colírio para os olhos. A região é um oásis na Europa, sendo dona de uma paisagem única que mistura montanhas, o lago e terraços de vinhas. Não por acaso, outras celebridades ajudaram a dar fama à cidade que está sempre 4 ou 5 graus acima da temperatura das cidades ao redor. Além de Charles Chaplin, Michael Schumacher, Charles Aznavour e Liz Taylor, que escolheram a região para morar, o filósofo Jean-Jacques Rousseau, o pintor Gustave Courbet e o escritor russo Fiodor Dostoievski também passaram por ali.

Montreux é pequena e charmosa, e tem cara de balneário. Parece que todo mundo está ali a lazer. Nada de trânsito, nada de pressa, nada de estresse. A cidade é mais conhecida como um pequeno paraíso para suíços e franceses escaparem da rotina e respirarem um pouco de ar puro do lago e das montanhas. Talvez seja esse o motivo que inspirou a Clinique La Prairie para fincar sua bandeira por ali, em 1931, com a proposta pioneira de unir a ciência inovadora da terapia celular e o bem-estar holístico com hospitalidade de luxo.

Pioneiro no uso de células de animais em tratamentos de saúde, o médico Paul Niehans fundou uma clínica de revitalização e beleza em 1931. Suas ideias pouco convencionais mostraram-se eficazes e logo se tornaram assunto entre os círculos da realeza e das celebridades na Europa. Sua técnica consistia em extrair células dos órgãos de fetos de ovelhas e injetá-las em seus clientes. Segundo sua teoria, as células dos órgãos de um animal, cheias de vitalidade, haveriam de chegar aos correspondentes órgãos de um ser humano adulto e, de algum modo, os rejuvenesceriam. A Clinique La Prairie ganhou fama como santuário de rejuvenescimento, e teve um forte impulso em 1953, quando o professor Niehans foi chamado pelos médicos do Vaticano para ver o papa Pio XII, que estava doente. Não deu outra: a terapia celular foi tão bem-sucedida que, satisfeito com o resultado, o papa admitiu Niehans na Academia Papal das Ciências. Ele ganhou repercussão mundial e milionários de todas as partes recorreram à “fonte suíça da juventude”, a exemplo do imperador japonês Hirohito, as atrizes Greta Garbo e Marlene Dietrich, o então chanceler alemão Konrad Adenauer, o rei saudita Ibn Saud, o primeiro-ministro do Reino Unido, Winston Churchill, que atribuiu sua resistência física ao tratamento, o presidente dos Estados Unidos, Dwight Eisenhower, o escritor britânico Somerset Maugham, os atores Cary Grant, George Burns, Bob Hope, Gloria Swanson e Charles Chaplin, que atribuiu sua capacidade de ser pai de dois filhos aos 70 anos ao tratamento do doutor Paul Niehans. A lista também inclui até o cientista Alexander Fleming, descobridor da penicilina, entre outros.

Nos anos 1980, a clínica foi adquirida pelo empresário suíço Armin Mattli, que investiu em pesquisa científica e experiência médica, mantendo a fama mundial do programa de revitalização com padrão suíço de qualidade. Para tratar pacientes com determinadas doenças, Niehans usava células fetais de ovelhas de um órgão específico. Com o passar do tempo, como os pacientes diziam se sentir mais energéticos e saudáveis quando recebiam as injeções com células frescas, surgiu a ideia de revitalização como um tratamento antienvelhecimento e preventivo. O doutor Niehans aposentou-se em 1966 e morreu em 1971, aos 91 anos, e seu método continuou a ser utilizado na Clinique La Prairie até 1988, quando foi introduzido o Extrato CLP, uma solução concentrada de enzimas biologicamente ativas e testadas e outras substâncias benéficas extraídas do fígado de ovelhas jovens. Patenteada em Munique, em 2006, tal preciosidade só é ministrada na Clinique La Prairie, que controla todo o processo de produção e utilização, desde a criação das ovelhas em sua própria fazenda até a preparação do extrato em seus laboratórios. As injeções foram substituídas por uma solução administrada oralmente e acredita-se que, em breve, a técnica vai evoluir para comprimidos.

Ao chegar à clínica, você vai reavaliar todos os seus conceitos de luxo, porque é na simplicidade que moram os mais sofisticados detalhes. Além disso, ao percorrer de robe os subterfúgios da clínica e do spa, você não vai nem se dar conta de que aquele senhor com quem você acabou de cruzar no elevador é o presidente da República dos Camarões. Mas nem tente confirmar a informação, porque a clínica é absolutamente rigorosa em não dar informações sobre seus hóspedes.

Renomada clínica médica e spa, atualmente a Clinique La Prairie tem várias alas – a Residência, o Château e o Centro Médico. Uma galeria subterrânea conecta o spa ao Château, enquanto um belo jardim em estilo francês, que ostenta uma estátua assinada por Rodin, liga a Residência ao Centro Médico. Tudo para que o hóspede circule à vontade, mas com privacidade. Embora seja um centro médico que é referência na Europa, suas instalações parecem mais um hotel estrelado do que uma clínica.

Para começar, uma nutricionista entrevista os hóspedes, a fim de descobrir gostos, hábitos e necessidades – e ainda que a perda de peso seja o objetivo, as receitas criativas do chef David Tarnowski e sua equipe surpreendem pela beleza e pela criatividade.

Trata-se de uma clínica médica e spa, por isso os hóspedes são encaminhados a diferentes profissionais de acordo com o programa escolhido, seja o de revitalização, ckeck-up médico, de reequilíbrio, beleza, controle de peso, otimização do movimento, deixar de fumar ou dormir melhor. “Alguns tratamentos são feitos sob medida, porque envolvem aspectos médicos e psicológicos”, disse o doutor Olivier Staneczek, pneumologista da Clinique La Prairie.

 A maioria dos programas é de seis noites – de domingo a sábado, com pensão completa –, com exceção do de Controle de Peso, que é de 13 noites. Todos os programas são acompanhados por médicos – há mais de 50 especialistas trabalhando ali. Apesar de todos eles contarem com amplo reconhecimento internacional, a  grande vedete da Clinique La Prairie é mesmo o exclusivo programa de Revitalização, recomendado para pessoas a partir dos 40 anos. Além do tratamento que contribui para potencializar a juventude, o programa inclui exames de laboratório, revisão dentária, tratamentos estéticos, ginástica com personal trainner e refeições – almoço e jantar sempre no restaurante e café da manhã e chá da tarde no quarto, com majestosa vista do lago e do jardim.

Caso os exames estejam normais, o Extrato CLP é administrado oralmente por dois dias consecutivos, precedido pela injeção de um potencializador. Não pense, no entanto, que você vai sair de lá com a aparência de 20 anos a menos. De acordo com José López, especialista em radiologia diagnóstica, há evidências, depois de extensas pesquisas, de que a Revitalização ajuda a retardar o processo de envelhecimento do sistema imunológico. A maioria dos pacientes experimenta melhor sono, melhora do desempenho mental, aumento da resistência e bem-estar geral melhorado.

Durante a semana de Revitalização o paciente pode usufruir de outras consultas médicas com um time internacional de profissionais de ponta, além de acesso ao famoso spa para fitness, massagens e outros tratamentos. A indicação é repetir o processo a casa dois anos, mas o período passado ali é tão gostoso que muita gente vai para lá todo ano e diversifica o tratamento. Detalhe: todos os tratamentos no spa e os amenities da marca Swiss Perfection são produzidos pela própria clínica. Em 1978, depois de muitos anos de pesquisa, cientistas da clínica anunciaram um avançado sistema de tratamento celular com o consequente surgimento dos cosméticos La Prairie, que logo fizeram sucesso no mundo todo. Mas, em 1982, o laboratório cosmético La Prairie foi comprado pela Beiersdorf, tradicional empresa alemã proprietária da marca Nivea, enquanto um banqueiro suíço adquiria a clínica.

O spa é uma atração à parte, com salas e mais salas repletas de aparelhos, cores e sons, sem contar a experiente equipe de terapeutas. Há uma gama de tratamentos corporais e faciais que combinam o toque humano com a tecnologia, além de massagens variadas, como a Abhyanga, capaz de levar ao paraíso. Na sala de descanso, chá ou água de coco e um tempinho – quanto você quiser – para não pensar em nada.

O consultor internacional de spa Nigel Franklyn, que depois de uma bem-sucedida carreira de modelo, há 15 anos vem desenvolvendo spas em hotéis, afirma que chegou ao ápice como profissional no spa da Clinique La Prairie. Ele vive em São Francisco (EUA), mas todo mês passa duas semanas ali: “Eu amo esse lugar. As pessoas mudam, ficam bem, se sentem bem. Sou feliz aqui. Adoro o retorno dos hóspedes depois das terapias. Isso aqui é energia, movimento, vida”, declarou.

Para Simone Gilbertoni, CEO da Clinique La Prairie, o melhor marketing é a experiência das pessoas, a arte de se sentirem bem com embasamento científico: “A La Prairie é uma clínica de bem-estar onde a ciência vem em primeiro lugar”.

Visitantes brasileiros podem voar para Genebra, com escala em Zurique, pela Swiss. Hóspedes da La Prairie têm transfer do aeroporto até a clínica, numa viagem de cerca de 40 minutos de carro, feita às margens do Lago Léman.

Imperdível

Entre um tratamento e outro, não deixe de explorar a cidade. Caminhe ao redor do lago por cerca de uma hora até Vevey, sede mundial da Nestlé, que mantém ali um museu, e a ex-moradia de Charles Chaplin, que em abril passado tornou-se o Chaplin’s World. Pegue um táxi ou ônibus que para na porta. É realmente um reencontro mágico com o mestre do cinema mudo, que atuava, dirigia, escrevia e produzia seus próprios filmes.

Depois de conferir a casa onde Carlitos morou por 25 anos com a mulher, Oona O’Neill, e oito filhos, os sets de seus filmes mais famosos no estúdio ao estilo de Hollywood, e dar uma caminhada pelo extenso jardim – a propriedade está localizada em uma propriedade de 10 hectares, cheia de árvores e com soberba vista do Lago Léman e dos Alpes – é possível entender por que ele passou tanto tempo ali.

Na verdade, Chaplin mudou para a Suíça depois de os Estados Unidos lhe terem negado o visto de entrada, em 1952, por suspeitas de que era simpático ao comunismo. Nascido em Londres, na Inglaterra, Chaplin morava na Califórnia (EUA) havia 40 anos. Sem poder voltar para casa, ele pagou 60 mil francos, em dinheiro, por um lote magnífico e uma mansão totalmente mobiliada no alto de Vevey.

Charles Chaplin fez um total de 81 filmes ao longo de sua carreira. E perto de 35 deles são destacados no museu imersivo, que também permite aos visitantes a experiência de estar em uma cabana balançando na borda de um penhasco, como Chaplin fez em Corrida do Ouro, considerado por ele seu melhor filme. Há recriações da barbearia de O Grande Ditador e do restaurante em que seu personagem comeu seu sapato em The Immigrant.

Há ainda 32 réplicas de cera de amigos próximos de Chaplin criadas pelo Museu de Cera Grevin, em Paris, incluindo seu amigo Albert Einstein, Woody Allen, Michael Jackson, e quatro dele próprio. E, claro, objetos icônicos, como seu chapéu de jogador e vários trajes usados nos filmes.

“Ele queria que as pessoas se lembrassem dele, por isso fez os filmes de maneira tão perfeccionista”, disse Eugene, filho de Chaplin, de 63 anos. “Acho que ele ficaria satisfeito.”

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Montreux Riviera

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Schweiz. ganz natuerlich. Statue von Freddie Mercury in Montreux. Switzerland. get natural. Statue of Freddie Mercury in Montreux. Suisse. tout naturellement. Statue de Freddie Mercury a Montreux. Copyright by: Switzerland Tourism - By-Line: swiss-image.ch / Markus Buehler-Rasom

Schweiz. ganz natuerlich.
Statue von Freddie Mercury in Montreux.
Switzerland. get natural.
Statue of Freddie Mercury in Montreux.
Suisse. tout naturellement.
Statue de Freddie Mercury a Montreux.
Copyright by: Switzerland Tourism – By-Line: swiss-image.ch / Markus Buehler-Rasom

Switzerland. get natural. Chillon Castle near Montreux on the shores of Lake Geneva, Switzerland's most famous fortification. Schweiz. ganz natuerlich. Schloss Chillon bei Montreux am Genfersee (12.-14. Jh.), die beruehmteste Burganlage der Schweiz. Suisse. tout naturellement. Le chateau de Chillon (XIIe-XIVe s.) pres de Montreux, sur la rive du lac Leman. C'est la plus celebre forteresse medievale de Suisse. Copyright by Switzerland Tourism         Byline: swiss-image.ch/Franziska Pfenniger

Switzerland. get natural.
Chillon Castle near Montreux on the shores of Lake Geneva, Switzerland’s most famous fortification.
Schweiz. ganz natuerlich.
Schloss Chillon bei Montreux am Genfersee (12.-14. Jh.), die beruehmteste Burganlage der Schweiz.
Suisse. tout naturellement.
Le chateau de Chillon (XIIe-XIVe s.) pres de Montreux, sur la rive du lac Leman. C’est la plus celebre forteresse medievale de Suisse.
Copyright by Switzerland Tourism Byline: swiss-image.ch/Franziska Pfenniger

Chaplin's World™, Corsier-s-Vevey, Switzerland,  © 2016 Marc Ducrest for Bubbles Incorporated

Chaplin’s World™, Corsier-s-Vevey, Switzerland, © 2016 Marc Ducrest for Bubbles Incorporated

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