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Meio Ambiente

Mar de lama

 

Tragédia ambiental e social muito séria, o rompimento da Barragem do Fundão, em Minas Gerais, completou um ano com dados alarmantes e iniciativas preciosas

 

Há um ano, o Brasil viveu o maior desastre ambiental de sua história. O rompimento da Barragem do Fundão, na região de Mariana, em Minas Gerais, administrada pela Samarco Mineração, despejou 34 milhões de metros cúbicos de rejeito no meio ambiente, dos quais 16 milhões caíram em três rios – Gualaxo do Norte, Carmo e Doce. A lama percorreu 663 quilômetros de rios e seus afluentes, a maior parte do Rio Doce, até chegar no oceano, no município de Linhares, no Espírito Santo. Ao mesmo tempo, matou 19 pessoas e destruiu 1.469 hectares de vegetação, incluindo Áreas de Preservação Permanente, de acordo com laudo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Segundo o instituto, a análise de toda área atingida pelos rejeitos de minério da barragem mostra que pode chegar a 400 o número de espécies impactadas: de 64 a 80 espécies de peixes, 3 de plantas ameaçadas, 28 de anfíbios, 4 de répteis, de 112 a 248 espécies de aves e 35 de mamíferos.

No caso das espécies de aves e mamíferos, acredita-se que os animais tiveram maior chance de sobrevivência por terem facilidade de mobilidade. Porém, ainda assim o dano foi grande.

A situação mais grave é dos peixes. O laudo técnico do Ibama afirma que o Rio Doce tinha 11 espécies ameaçadas de extinção e, das 12 espécies endêmicas, ou seja, que só existem lá, duas são definidas como “criticamente em perigo”.

Hoje, um ano depois, pode ser que os peixes estejam contaminados, já que na ocasião do desastre a água mostrava altos níveis de contaminação pela lama, baixa oxigenação e presença de metais acima do permitido, como ferro, manganês, cromo, alumínio e arsênio. Os níveis de ferro e manganês ainda estão acima do recomendado nas águas do Rio Doce.

De acordo com especialistas, pode levar séculos para que o ambiente ali se recupere. A lama que se espalhou por Minas Gerais e Espírito Santo impede que qualquer matéria orgânica cresça. Uma das consequências da lama é o assoreamento, com o acúmulo de sedimentos na calha do rio e formação de um tipo de areia movediça em algumas regiões. Para se ter uma ideia da extensão do estrago, os detritos das barragens tomaram conta do Rio Gualaxo e chegaram ao município de Barra Longa, a 60 quilômetros de Mariana. O rompimento da barragem afetou o curso do Gualaxo, que é afluente do Rio Carmo, o qual, por sua vez, deságua no Rio Doce, que é responsável pelo abastecimento de uma grande quantidade de cidades. À medida que a lama atingia os ambientes aquáticos, seguia causando a morte de todos os organismos ali encontrados, como algas e peixes. O ecossistema aquático local foi completamente afetado, prejudicando os moradores que viviam da pesca.

Além dos grandes danos ambientais, há os sociais, com mais de 600 famílias desabrigadas e outras tantas sem água e emprego.

Para a ONG REVIVA, que trabalha com projetos no Brasil e no exterior, água é vida e, por isso, ela leva esse bem tão precioso para pessoas em situação de vulnerabilidade social. Comovida com a nova realidade da região mineira, em fevereiro de 2016, lançou a Expedição Amariana, levando 10 mil litros de água para as vítimas do desastre. “A REVIVA entende que água é vida e que essa é a necessidade mais básica de todas. A organização quer justamente transformar a vida das pessoas, isso é algo visto com muita seriedade por nós”, afirmou Beatriz Marcelino, presidente da entidade. Para ela, “é preciso que as pessoas entendam a gravidade e a extensão da tragédia de Mariana, para que algo desse tipo não aconteça novamente. Que existam métodos mais eficazes de prevenir e, caso volte a acontecer, que se criem meios de alertar a população antecipadamente”.

Parte do projeto de mesmo nome, a Expedição Amariana contou com quatro voluntários da REVIVA, três representantes da revista FullPower e uma representante da Volvo Brasil, parceiros da organização. Toda arrecadação da água levada à Mariana foi feita por meio de campanha nas mídias sociais da organização, lançada em novembro de 2015, e a água foi distribuída para cerca de 500 pessoas.

A responsabilidade de construir uma sociedade mais justa e com mais oportunidades, enfim, deve ser de todos. “Na Volvo, somos obcecados por pessoas e fazemos tudo para que elas se sintam especiais. Nosso compromisso é com a segurança, a qualidade e o meio ambiente. Nesse sentido, ficamos particularmente tocados com os acontecimentos em Mariana, que afetaram milhares de pessoas, por isso fizemos o possível para ajudar”, disse Eliane Trinca, diretora de Responsabilidade Social da Volvo Cars Brasil, que participou da Expedição em nome da empresa.

As histórias da Expedição Amariana foram registradas em um documentário produzido pela revista FullPower. “Expedição Amariana Parte I”, fruto do projeto, mostra as pessoas que foram atingidas pelo rompimento da barragem e suas vidas após o desastre. A ONG ainda tem outras atividades programadas na cidade mineira, como a implementação de uma estação de tratamento de água no início de 2017.

“O crescimento econômico e inclusivo ganha a cada dia mais espaço na sociedade. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) adotados pelas Nações Unidas, por exemplo, são metas globais que, no fim de 2030, visam transformar o mundo em um lugar mais democrático, com mais acesso à educação, à saúde e à paz. Acesso à água potável e saneamento é um dos objetivos, mais especificamente o de número 6”, conta Allyson Pallisser, assessor da REVIVA. “Temos consciência da importância da água como elemento fundamental para a sobrevivência e a saúde de todos os seres vivos”, completa.

 

A abertura da 43ª edição da Semana de Vela de Ilhabela foi contemplada com um show no mar. Embora as equipes tenham sofrido com a falta de vento no domingo ensolarado, durante a regata Mitsubishi Alcatrazes por Boreste Marinha do Brasil, muitas tripulações assistiram de camarote as acrobacias de um grupo de baleias Jubarte na prova mais longa do evento.

Com menos de 6 nós de vento, as baleias distraíram os velejadores e foram alvo de muitas e muitas fotos. As Jubarte estão em período de migração da Antártica para Abrolhos, arquipélago ao sul da Bahia, e passaram por Alcatrazes executando saltos fantásticos, num espetáculo que já fez valer a pena a participação no maior evento oceânico da América Latina.

No percurso 20 quilômetros menor que, por questões técnicas, foi alterado pela comissão técnica de forma a ter retorno na Ilha da Sapata, o Sorsa, de Celso Quintella, foi o fita azul após quase 10 horas de regata, seguido pelo Crioula, Carioca e Itajaí Sailing Team.

Nas provas de menor distância, em que o imponente veleiro Cisne Branco deu a largada, os vencedores foram o HPE30 Phoenix, liderado por André Fonseca na regata Ilha de Toque Toque por Boreste, e Ginga, de Breno Chvaicer, na Renato Frankenthal.

Realizada entre 3 e 9 de julho, a Semana de Vela de Ilhabela contou com 136 barcos de 13 classes, que enfrentaram regatas de longo e médio percurso além das barla-sota, e as mais variadas condições de vento e de tempo. “A Semana de Vela de Ilhabela é sempre assim! Tem dia de tempo bom, dia de tempo ruim. Pouco ou muito vento. Os velejadores gostam de competições nesse nível”, avaliou Carlos Eduardo Souza e Silva, diretor de vela do yacht Club Ilhabela, sede da competição.

Houve dias em que o vento não apareceu, em outros veio rondado e ainda teve tempo de chegar forte, com média de 18 a 22 nós e rajadas de até 28 nós, acompanhado de uma frente fria. “Ventou bastante! Não estamos acostumados com essas condições em Ilhabela – com vento e sol. Geralmente fica frio e chove em situações parecidas aqui”, comentou André Mirsky, tático do Carioca.

A novidade este ano foi o Grand Prix dos 30 pés para os veleiros C30 e HPE30 e a volta do Torneio por Equipes, em que clubes associações ou times da mesma região se juntam e formam grupos com quatro embarcações cada para disputar as provas da Semana de Vela nas classes RGS, IRC e ORC. O trio formado pelos barcos Rudá, Asbar 2 e Mussulo III venceu e ficará com o troféu transitório Pen Duick II por um ano.

Os campeões da 43ª Semana de Vela foram definidos nas últimas regatas do dia 9 de julho, na raia montada na Ponta das Canas, com ventos de 9 a 12 nós e a presença encantadora de baleias de Bryde e golfinhos que nadavam na área dos barcos, mas alguns resultados demoraram a sair, como os vencedores das classes ORC e RGS, por conta da revisão de resultados.

Depois de muito suspense e muita recontagem, o título da ORC ficou com o Miragem. Na classe IRC geral, o Rudá saiu vencedor no critério de desempate contra o Asbar IV, que foi a quantidade de vitórias: 3 do comandante Guilherme Hernandez contra uma de Jonas Penteado. O Asbar foi campeão da RGS geral, categoria que reuniu o maior número de barcos da competição.

Monotipos

O Phoenix, comandado por André Fonseca, venceu 10 das 11 regatas disputadas e, claro, sagrou-se não apenas campeão da 43ª Semana de Vela de Ilhabela como também do Grand Prix dos 30 pés. “O HPE30 é um barco novo, uma classe em desenvolvimento. Nosso objetivo era trazer os cinco barcos para a competição, e me sinto vitorioso porque ao longo da semana todos oegaram mais o jeito do barco e o final foi mais disputado, disse o vencedor, mais conhecido como Bochecha.

A classe C30, por sua vez, competia também pelo Campeonato Brasileiro, além da Semana de Vela e do Grand Prix. A flotilha de oito embarcações travou disputas bem equilibradas, sendo que até o último dia quatro barcos podiam conquistar o título. “O principal fator da C30 é a possibilidade de vitória aberta a todas as tripulações, o que mantém a motivação sempre elevada para se velejar. É delicioso competir na classe em que as regatas são decididas em cima da linha de chegada e os campeonatos por apenas um ou dois pontos”, disse Mauro Dottori, comandante do Caballo Loco, que apesar das vitórias em quatro das 11 regatas disputadas, acabou na quarta colocação, atrás do Katana Portobello, Caiçara e Loyal, de Marcelo Massa.

O barco Katana Portobello, do Iate Clube de Santa Catarina, foi o grande vencedor da classe: campeão do Grand Prix e da Semana de Vela e vice-campeão brasileiro, ficando o título do Campeonato Brasileiro de C30 para o Zeus Sailing Team, também de Florianópolis. César Gomes, comandante do Katana, levou para Ilhabela sua experiência adquirida nas regatas da classe Melges 20 disputadas em Miami, onde residiu durante nove anos, até 2015. “É gratificante vencer em uma classe tão equilibrada devido ao elevado nível de todas as tripulações. Principalmente correndo ao lado de amigos brasileiros e norte-americanos que formaram nossa entrosada equipe”, festejou o comandante campeão, que teve menos de um ano para se adaptar ao barco.

Campeão paulista e brasileiro de HPE25, o Ginga, de Breno Chvaicer, começou ganhando em Ilhabela ao chegar em primeiro lugar na regata Renato Frankenthal. Na verdade, venceu nove das 10 provas disputadas e conquistou o bicampeonato da Semana de Vela de Ilhabela: “Foi resultado de muito treino e dedicação de nossa equipe”, ele disse.

Star, a mais tradicional classe da vela, foi a última a estrear na competição, e foi vencida por Jorge Zarif, que descontraiu ali antes de representar o Brasil na Finn nos Jogos do Rio 2016, e Arthur Lopes, que venceram todas as regatas realizadas.

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